Ontem (27.01) comemorou-se o Dia
Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Este foi um dos posts que
sempre idealizei partilhar aqui com vocês e, quando no noticiário tomei
conhecimento da efeméride, apercebi-me de que não haveria melhor momento.
Há algum tempo, fiz um género de
roteiro por alguns pontos importantes da Segunda Guerra Mundial em vários países:
o campo de concentração de Dachau, meia hora a norte de Munique, o Berchtesgaden
na Baviera e, finalmente, a Casa Museu de Anne Frank em Amesterdão.
Dachau foi o primeiro campo de
concentração edificado pelos nacional socialistas; construído logo em 1933,
depois de Hitler chegar ao poder.
Vários campos de concentração tinham esta inscrição nos seus portões: Arbeit macht frei, em português “O trabalho liberta”, para que os prisioneiros julgassem que aquele se tratava apenas de um campo de trabalho e não de extermínio, evitando assim o pânico geral. Este foi o conceito que escondeu durante muitos anos o que se passou. O portão de Dachau que aqui vemos foi roubado em 2014 (ainda tive a sorte de o ter visto).
Não havia escapatória possível
destes campos. Numa extremidade de Dachau havia uma enorme vala precedida por
uma grade de arame farpado. No exterior, esperava ainda um rio gélido com ambas
as margens cobertas por arame farpado, uma vez mais.
Os campos de concentração tinham
inúmeras construções para albergar os prisioneiros. Hoje em dia, normalmente,
já só se conservam uns quantos, permanecendo a estrutura térrea de modo a que
não restem quaisquer dúvidas do número de pessoas que por lá passaram (como
vemos na imagem da esquerda).
Dentro de Dachau existem várias salas com pertences dos presos e das milícias que
lá permaneceram, mas também objetos e relatos que verdadeiramente mostram as
atrocidades que se cometeram. Na imagem vê-se uma mesa à qual o prisioneiro
era amarrado para ser espancado com o bastão de madeira, tendo de contar em voz
alta as arremetidas dos oficiais da SS. Lá é tudo muito cru e nada se esconde;
tudo se encontra bem documentado e explicado.
Em outra zona entra-se efetivamente nas camaratas com as salas das camas, cacifos e casas de banho partilhadas. Não sei se conseguem perceber pela imagem mas as paredes de vidro ou madeira têm uma espessura mínima e na Alemanha fazem-se sentir temperaturas baixíssimas.
A câmara de gás e o crematório
ficavam numa das extremidades de modo a evitar que os presos se recusassem a ir
até lá. Aliás, estes pensavam que iam tomar “banho”, daí a inscrição Brausebad (chuveiros). Os corpos eram transportados para o crematório que se encontrava
logo ao lado.
Estima-se que durante os 12 anos, das 200 mil pessoas que lá foram aprisionadas, 41 mil tenham morrido. Em maio de 1945, o campo foi libertado pelas tropas americanas, dias antes do fim da II Guerra Mundial na Europa.
O Kehlsteinhaus (em português, o
Ninho da Águia) é uma construção imponente edificada no cume da montanha Kehlstein,
a quase 2 quilómetros de altitude. O edifício foi erguido com verbas do Partido
Nazi e oferecido a Hitler como prenda pelos seus 50 anos. Este era como que um
retiro para férias do führer apesar de lá não ter estado muitas vezes. Tinha uma
decoração avassaladora, um elevador com ornamentos em ouro, uma adega com os
melhores vinhos e obras de arte roubadas pelos nazis. Muitas da fotografias que existem de Hitler com Eva Braun foram ali tiradas.
Não sei se já viram a minissérie
Irmãos de Armas (a minha série preferida de sempre!! Vejam! Tem uma qualidade
incrível!) sobre a história dos soldados americanos da Easy Company; nos
últimos episódios, com a conquista do Ninho da Águia, vemos uma reconstituição que
nos mostra como seria o interior (já que grande parte dos móveis e objetos foi
removida).
O Berchtesgaden diz respeito à área completa: o centro de documentação sobre a guerra, o bunker e o Ninho da Águia, o chalé no topo da montanha.
Sobre a casa da Anne Frank, em Amsterdão, não vos consigo mostrar fotografias já que é estritamente proibido fotografar ou gravar no interior (as imagens que vos mostro aqui da casa não são minhas).
No entanto, posso dizer que é completamente impressionante já
que muito do que lá está parece imutável e porque subimos realmente aquelas
escadas minúsculas íngremes e vemos, inclusivamente, o anexo secreto da
família.
Não sei se gostaram deste post mais fora do comum mas é um rumo que também quero incluir no blog: ir partilhando com vocês este conteúdo
mais “cultural”.
Sinto-me verdadeiramente privilegiada por ter feito esta viagem; é um período que me fascina. É muito violento psicologicamente tomarmos consciência e ver realmente a barbárie e dor que o Homem tem a capacidade de infligir, no entanto, faz parte da História e é incontornável conhecermos este período negro da cronologia mundial (mas sobretudo europeia), sobre o qual ainda nem se passaram 100 anos.
Eu e o meu namorado já estamos a idealizar uma segunda viagem ainda maior de modo a incluir muitos mais pontos importantes da Segunda Grande Guerra.
Não queria obviamente passar-vos aqui uma aula de História mas acredito na partilha de informação e acho que não nos devemos ficar pelos outfits, maquilhagem, filmes ou séries de televisão. Acho que tudo o que conseguirmos passar de valor uns aos outros é mais que válido. Qual é o vosso feedback?
Beijinhos grandes,